Mostrar mensagens com a etiqueta Casos clínicos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Casos clínicos. Mostrar todas as mensagens

20/09/2010

ROSNA-UM CASO DE MÍASES

Tenho reparado que a palavra "míase" tem sido alvo de pesquisa na blogosfera e muitos visitantes chegam ao BandarraVet, para a leitura deste post (clicar na palavra post), onde já foi debatido um caso clínico ao qual recomendo a sua leitura.

O caso de hoje é outro caso, não o único neste verão, mas que me deixou a reflectir bastante na falta de prevenção que temos.



A Rosna entrou no passado sábado ao fim do dia.
O dono avisou-me por telefone que se dirigia à BandarraVet, porque tinha observado uma pequena ferida com "bichos".

A Rosna é uma cadela de raça Serra da Estrela, de 7 anos de idade. Vive em liberdade dentro de uma propriedade cercada e com um enorme terreno circundante.




Ao exame físico apercebi uma pequena ferida com míases (parasitose, por larvas de moscas).
Curiosamente e com o decorrer da tosquia, apercebi-me que existia outra ferida, do lado oposto, na região abdominal e com muito mais míases.


A causa das míases no caso da Rosna era evidente: debaixo daquele manto de pêlo em mau estado, estava uma enorme quantidade de praganas (ou fura-sacos) literalmente "crivadas" na pele.
Foram retiradas várias de entre pequenos abcessos purulentos que se viam.



Investigando.

Aqui está em pormenor da segunda ferida.



À palpação pode ser perceptível a profundidade e invasão dos tecidos.
Podem ver ainda dois fura-sacos nas proximidades da ferida.
Vamos iniciar a extracção.



Um trabalho delicado, uma vez que a Rosna não se encontra tranquilizada, apenas contida tranquilamente pelo dono.

É impressionante como a Rosna se encontrava "deglutida" por aquelas míases sem nenhuma reacção.



Tratando-se de duas feridas abertas (esta com maior gravidade), dentro de dias e após limpeza da ferida será anestesiada para uma pequena cirurgia reconstrutiva.


Durante a extracção ou o final podem sempre colocar um pouco de água oxigenada (Peróxido de Hidrogénio).


Para além da sua importante função desinfectante, provoca um efeito mecânico de "empurrar" as míases para a superfície.

Útil para retirar alguma que se encontre em maior profundidade.



Contamos 89 míases nesta ferida. Na outra foram retiradas 23.
Cada caso é um caso, dependendo muito da sua localização.

Já o disse, tive casos bem mais graves.



Uma vez que a ferida irá permanecer aberta para drenagem, podem ainda colocar uma solução com uma avermectina diluída com soro fisiológico e colocar dentro da ferida (mantêm-se as recomendações para as raças sensíveis a esta molécula)

Funciona como preventivo e tratamento definitivo de alguma pequena larva (ou ovo de mosca) que ainda possam estar presentes.


Deixem ficar durante algum tempo e de seguida retiram o excedente.



Solução desinfectante na superfície da ferida.

Foi instituído de seguida um tratamento de suporte e a Rosna ficou internada.

Hoje esteve no parque, bem disposta e as feridas foram limpas e desinfectadas.

Amanhã iremos proceder à tosquia completa e um banho terapêutico.

Não se esqueçam que o grooming, falado aqui e aqui é fundamental para a prevenção destes casos.

A prevenção é essencial!!!


18/09/2010

TUCHA

A Tucha é a recém bébé tartaruga, de 3 meses que entrou com um quadro agudo de dor abdominal (ver aqui o link que explica esta pelagem característica).

Com 3 meses devemos ter cuidados redobrados, pois a dona administrou-lhe indevidamente uma substância, para além da causa primária da doença.


Foi feita fluidoterapia de suporte com mediação endovenosa e controlo da dor.


É prática corrente colocarmos determinadas plantas no intuito de poderem veicular, atráves delas (aroma, chás, etc) certas propriedades curativas.

Neste caso, trata-se da Hortelã-Pimenta-dos-Rios, com fortes propriedades para a dor abdominal, acidez, cólicas, distúrbios de digestão.

Parece que a Tucha está a ser atraídas por elas.



No dia seguinte, a Tucha começou a sua higiene.

Em felinos é um indicador fiável da relação saúde/doença.


Está a recuperar.


No final do dia, começou a miar...

Vamos lá ver o que ela quer, pois a menina já começou a comer paparoca.

Hummmm... colinho????

Brincadeira?


Reforços positivos são sempre salutares para o sistema imunitário!


Para os mais ávidos da sabedoria, leiam este post (clique aqui) sobre alguns avanços importantes na Medicina.


No bom caminho...

Amanhã deverá ter alta com recomendações terapêuticas!

Bom fim-de-semana a Todos

14/09/2010

PLUTÃO

Este pequenino ser, bébé foi encontrado no jardim da casa de uma cliente.
O miar dele era de tal forma ensurdecedor, que se fez ouvir mesmo no canto mais recôndito da casa.
Ninguém sabe de onde veio nem tão pouco há quanto tempo estava aí.
Simplesmente miava.


Apenas um pequeno ser, de duzentas grama, mas com uma força de vontade suficiente para caminhar lentamente e com uma vontade interior incomensurável de sobreviver e miar bem alto.


O "pequeno", de aproximadamente 3 semanas apenas, queria somente isso: "Sobreviver".
Mesmo com as tentativas de biberon dadas pela cliente, o "pequeno" continuava a miar.
Foi feita uma "papa", com paté minuciosamente triturado e com a ajuda da seringa foi-lhe dado a comer.

Impressionante e comovente foi a cliente poder assistir a "garra", vivacidade do "pequeno" em deglutir a papa.

Parecia a mesma força que o fizera miar de alto.


Quem sofreu nas profundezas da fome, como este pequeno ser, sentiu a sua vida a regenerar e se transformar.


A alegria da cliente foi de júbilo.
Pediu-me para ser "Madrinha" dele e lhe arranjar um nome.
Imediatamente me veio à cabeça o nome "Plutão", pois já tinha visto que era um menino.

Disse-lhe que escolhera esse nome por ter as características do planeta chamado Plutão.
Quando me perguntou mais sobre o assunto, respondi-lhe que por ela, um dia o saberia.

Deixo-te aqui o
link (clicar na palavra link) onde, com toda a certeza poderás encontrar a resposta.


Mas lembra-te que é dentro de nós que existe a força, o poder, a vontade de regenerar, de transformar ou "curar" o rumo da tua vida.

"Plutão" conseguiu e Tu também!




13/09/2010

SAFIRA

Hoje irei iniciar uma secção nova, na categoria denominada por "domicílios". Desenganem-se os leitores que pensam que o BandarraVet está apenas "confinado" dentro de quatro paredes. Os domicílios também fazem parte e têm sido objecto de aprimoramento, tanto a nível de calendarização, equipamentos e meios humanos.

Os domicílios requerem mais de nós, mais do que possam imaginar. A "triagem" é de extrema importância e necessária, bem como toda a anamnese que nos é fornecida pelo dono. Imaginem que nos requisitam para ver um cão que está doente. Até aí tudo bem. Que tamanho tem? (numa hipótese de ter de o trazer, para levar a jaula mais adequada); é agressivo, dócil (importante na escolha do protocolo de tranquilização); onde está? (pode estar até no meio do campo), em que estado está (molhado, com diarreia etc).


As condições climatéricas também são importantes. Ocorre com frequência, no verão agendar os domicílios de acordo com a labuta dos donos e o tempo. Lembrem-se que nos domicílios, deslocamos-nos à casa do dono e necessitamos dele ou da pessoa encarregue de nos receber e nem sempre é possível. Pequenos pormenores, que dentro do consultório não têm a mesma importância.


Preparar o domicílio para a sua especificidade é importante mas nem sempre conseguida. Já me aconteceu realizar um domicílio, simplesmente porque me disseram que o animal estava sem se mexer, mas sem nenhuma hipótese de ter sido atropelado (descartar sempre traumatismos da via pública, que necessitam o transporte obrigatório até à clínica). Quando cheguei, o animal mal se mexia e com desequilíbrios motores. Ao exame visual pude aferir uma grande suspeita de corpo estranho no canal auditivo. Não trazia nesse dia comigo o otoscópio, onde também por necessidade de tranquilização e exame do canal, transportei-o até à BandarraVet. Simplesmente lhe foram retiradas 5 praganas num dos ouvidos (2 no outro), com perfuração da membrana do tímpano e uma otite purulenta.


Não obstante todo o exposto, nos domicílios temos uma enorme vantagem. Conhecer "in loco" o ambiente onde está inserido o animal. É nessa parte que me sinto bem. Observar as condições, o contacto/proximidade dono-animal; existências de outros animais para além daquele a que normalmente somos chamados; presença de factores de riscos, etc. É na sequência desta observância que passamos a ter um trabalho mais activo, de saúde pública, de informação, não apenas para o animal em si, mas também de toda a sua abrangência.

Aqui o domicílio foi com a"Safira" uma égua de 8 anos, cujo dono a adquiriu há pouco tempo. Uma vez que é um animal preferencialmente de "pasto" surge a necessidade de prevenção contra a gripe equina.

A Safira é muito dócil.

Ui....sempre sentiu a injecção! Mas com o dono perto, não houve qualquer problema.

Agora vamos desparasitar, uma prevenção muito importante em equinos. O "King" fez-me companhia.... deixa lá que também vais tomar!

Vamos lá ver se é saboroso!

Aqui um bom exemplo da abrangência. O "King" é um coabitante da Safira, daí a necessidade da desparasitação em simultâneo. Allez, engolir!

E pronto, documentação a seguir e por hoje está!



Os domicílios tem esta peculiaridade: podemos partilhar da beleza da própria natureza.
A nossa Mãe Terra é linda e tenho tido a sorte de caminhar por lugares de extrema quietude e beleza. Aqui, uma manada de vacas a pastarem tranquilamente. Não podia seguir em frente sem parar e contemplar um pouco...

19/07/2010

"MOEDA"

A "Moeda" é uma cachorra de 1,5 mês com apenas 2 Kg.

Ficou internada 4 dias.
Recordarei a luta silenciosa que foi tê-la acompanhada na sua convalescença.


Aqui podem-na ver na recta final, pois clinicamente está curada.


Tenho seguido e aprendido os ensinamentos de um grande Mestre, num dos quais dizia: "O nosso semelhante é como um espelho onde podemos ver representada uma faceta da nossa personalidade".

"Quando não temos respeito por alguém, também não temos respeito pela parte de nós mesmo que lhe corresponde. Enquanto não nos aceitarmos e respeitarmos na nossa totalidade, não atingiremos a plenitude do nosso Ser"

Disse também: "Todas as formas de matéria vibram a diferentes níveis energéticos e estão interligadas."

"Assim, quando nos aceitamos incondicionalmente, a nós próprios e aos outros, mostrando Amor e Respeito por todas as formas de vida, todos beneficiamos do resultado dessa energia harmoniosa que nos ajuda a "curarmos-nos" e a "curar" o planeta, a nossa Mãe Terra"


"Cada pessoa, animal, planta e mineral está incluído nesse Todo".


Por isso,

"Só por Hoje, respeito e sou bondoso para com o meu próximo e tudo o que vive"



Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...