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03/11/2011

A ALTA DO KAZUZA


O Kazuza teve alta ontem. A primeira fase da abordagem terapêutica (exerese tumoral com identificação: Carcinoma das células escamosas) está concluída.

Uma cirurgia agressiva onde pude por em prática os ensinamentos adquiridos recentemente na pós-graduação (ver aqui), pois foram necessários dois flaps de pele para reconstrução do defeito.

Um caso que me encantou, pois os donos conscientes de toda a patologia me colocaram a tarefa nas mãos com a maior confiança.

O Kazuza que não era um cão propriamente dócil a tratamentos, mudou no próprio dia cirurgia.

Passou a ser cooperante, aceitando os tratamentos colaterais à própria medicação. Ontem preparamos a alta, com direito a banho e mordomia dentro do Centro.














O Kazuza a despedir-se da Andorinha que teve também alta no mesmo dia.







Dentro de alguns dias será seguido.


Até lá, fica bem Amigo! ;)




Maria Paula Ribeiro



26/04/2011

ODEIO...



"Odeio o privilégio e o monopólio. Para mim, tudo o que não pode ser dividido com as multidões é "tabu".


Gandhi



De cirurgias em cirurgias...
Aprendendo e ensinando aos que me seguirão...

Maria Paula Ribeiro




23/03/2011

COMPRENETRAÇÃO


Tenho o hábito de momentos que precedem qualquer cirurgia, de a visualizar do início até ao fim...


Um momento especial, de interiorização, de compenetração e faço também um pedido: que o corpo que se encontra diante de mim me deixe "invadi-lo", sabendo que irei fazer o melhor que me esteja ao alcance, para realizar a melhor intervenção.

E subir, subir o meu nível vibracional, de modo que o "medo miúdo" que ampare no início qualquer cirurgião, se desvanece, deixando aberto o caminho livre para a conquista de mais um desafio...em plenitude...


Maria Paula Ribeiro

24/01/2010

A HISTÓRIA DO "SAB"

O "Sab", um canídeo macho de 2 anos de idade tinha desaparecido há 1 semana. Foi encontrado casualmente por um vizinho do dono, o Sr.Alfredo, que o vira preso num laço que é utilizado clandestinamente para fins venatórios.

O "Sab", não se conseguia movimentar, respondendo apenas à voz do seu dono tal era o seu sofrimento, o medo e a angústia que padecia.
O Sr. Alfredo cortou o laço que o prendia e trouxe o"Sab".


Não foi fácil retirar o"Sab" nem manuseá-lo mas com a frieza e coragem do dono, lá conseguimos colocar o açaime de modo a transporá-lo sem nos causar danos físicos por defesa à dor.

O "Sab" foi anestesiado de imediato e começamos a averiguar as lesões em busca de retirar o laço sobrante.

Deixo o aviso que as próximas fotografias poderão ferir a sensibilidade do leitor.

O restante do laço encontrava-se embrenhado na sua própria carne e fizera a volta completa a nível abdominal.

Nunca vira tamanho caso (tivemos casos de laços com menor gravidade), e tive a preciosa ajuda do dono em corta-lo.

Corte

O resto do laço

As lesões do "Sab" apareciam à medida que se retirava o pêlo e se retiravam os tecidos necróticos.

Aspecto das lesões: necrose; material purulento e dilaceração da parede abdominal.

Em ambos os lados.

A inserção do pénis à parede abdominal ficara dilacerada.


Desbridamento e limpeza antes da intervenção cirúrgica.

Foram cerca de duas horas de reconstrução dos tecidos. Remoção de tecido necrótico ou de todo o tecido com comprometimento da sua viabilidade; corte dos bordos de pele e aproximação da parede abdominal.

A pele foi suturada com sutura intradérmica contínua e reforçada com pontos simples em cruz. Deixei 2 drenos abertos.

Pós-operatório com fortes medidas no controlo à dor e controlo às infecções bacterianas.


Sabia que o "Sab" teria ficado 7 dias preso, pois em caso algum ele deixara alguma vez o seu dono.

Sabia que o "Sab" era forte e apercebi-me que o seu dono ansiava que ele recuperasse.

Já o disse e volto a afirmá-lo que ter , esperança e pensamentos positivos em torno do seu animal é um requisito fundamental no processo evolutivo da cura.

Não devemos nunca menosprezar essa força. Devemos-nos aliar a ela e aumentá-la, fazendo o melhor que estiver ao nosso alcance.

No caso do "Sab" foram 2 horas caminhando centímetro a centímetro e acompanhando os sinais vitais dele. Em mente retive a esperança do seu dono, misturada com a alegria que sentira quando o encontrou e sabia que aguardava o término da cirurgia.

São essas forças que nos movam, nos alimentam e que fazem toda a diferença.

Somos apenas um elo entre o animal e o seu dono, somos o reconstrutor do "canal" que se rompeu. Quando se rompe este "canal", surge a doença, o sofrimento e a tristeza e a nós compete-nos reconstruir este "canal".

O "Sab" teve alta passado 4 dias onde a recuperação foi seguida pelo seu dono.
Regressou 2 dias para banho e limpeza da ferida; um controlo apertado que não prescindo em casos desses.

Evolução favorável, sem deiscência de sutura.

O "Sab" e o seu dono!

A história do "Sab" mostrou-nos mais uma vez que a fé do seu dono fez toda a diferença.

O "Sab" mostrou-nos que não obstante ter passado 7 dias, não desistiu de ânimo leve, mesmo sem comida, ao frio e à chuva tendo como única companheira física a sua própria dor.

O "Sab" não se importou porque acontecera aquilo e por quem acontecera aquilo.

O "Sab" apenas se entregou para ser cuidado. Nada mais!

E nós, reconstruimos um canal!

Vai lá amigo...

Para a semana, retiramos os pontos e este funil!!

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