14/03/2009

ENVENAMENTO POR PROCISSIONÁRIA


O diagnóstico de envenenamento pela procissionária do pinho é baseado no quadro clínico, mas também pelos dados epidemiológicos.

Esta patologia surge principalmente na Primavera, causada por uma efracção cutânea ou mucosa de pêlos urticantes que possuem uma toxina. Estes pêlos estão presentes nas lagartas procissionárias do pinho, nos estados larvares L3, L4 e L5 da Thaumetopoea pityocampa. Estas lagartas são frequentemente encontradas em "fila indiana" e são cobertas de seda ornamental e, sobretudo de pêlos urticantes.

O nome de procissionária advém da Thaumetopoea pityocampa se deslocar em "fila"


EPIDEMIOLOGIA

  • As procissionárias infestam florestas, sobretudo na orla mediterrânica onde encontram as árvores resinosas que as alimentam e um clima favorável ao seu desenvolvimento. Encontra-se na Europa meridional e central mas também no norte de África.
  • O envenenamento ocorre sobretudo no final do inverno e início da primavera (Janeiro a Junho), segundo as condições meteorológicas. Este período corresponde à saída das larvas que saem dos casulos para se alimentar na árvore quando as temperaturas atingem 10ºC, altura que descem para iniciar a muda (ninfa) subterrânea quando a temperatura atinge os 20ºC.
  • A proximidade de árvores resinosas ou passeios em plena floresta são os dados mais recolhidos na anamnese do caso. O cão, a espécie mais atingida (93% em 2002), pode entrar em contacto com os pêlos urticantes transportada pelo vento; com as lagartas, particularmente atractivas quando em fila indiana; com objectos cobertos de pêlos urticantes ou ainda com os casulos caídos no chão.
  • O gato é menos atingido que o cão em virtude do seu comportamento mais cauteloso e da sua exploração bucal menos marcada.
  • O envenenamento também pode afectar os equídeos, ovinos, caprinos e suínos.

SINTOMATOLOGIA

Os sinais clínicos são devidos à toxina libertadora de histamina, a thaumatopoeína, contida no pêlo urticante e libertado aquando a sua ruptura (como uma ampola). O simples contacto não é suficiente para a ruptura; uma efracção cutânea é necessária, facilitada pela forma do pêlo (extremidade proximal lisa e farpas na extremidade oposta como se de um arpão se tratasse). A thaumatopoeína provoca a desgranulação dos mastócitos com a secreção de histamina, mediadora da inflamação.

Os sinais clínicos seguem-se rapidamente: de alguns minutos a poucas horas. Vários sinais são observados mas são sobretudo os sinais locais que alertem os donos.
Alterações bucais e digestivos são os mais marcados e de carácter evolutivo. A língua é o orgão mais afectado. Os outros sinais locais são mais raros nos animais (muito mais frequente no homem).

  1. LESÕES LOCAIS
  • LESÕES BUCAIS E DIGESTIVAS
A inflamação, que se traduz por edema lingual, sub-lingual e/o labial, pode em primeira instância, não ser perceptível para os donos, mesmo se o animal manifesta sinais evidentes de dor aguda, comparada à de uma queimadura. Surgem de seguida, o ptialismo (salivação excessiva) e dificuldades na deglutição, que são os sinais de alarme que motivam a consulta.

A Ara foi atingida quando tinha 10 meses. Ptialismo, edema labial, facial e lingual. Esta foto, pelo carácter urgente que teve o caso, só foi tirada ao 3º dia. Ainda eram visíveis os sinais.

Outro caso clínico: necrose sublingual apical por compressão vascular

Mesmo caso: úlceras profundas no dorso da língua. Foram ainda retiradas pêlos urticantes na língua que se encontravam na mesma.

Edema da glote. Este cão teve queimaduras do esófago.

Necrose da língua
Remoção do tecido necrótico

Uma glossite (inflamação da língua), estomatite (inflamação da gengiva bucal) e uma queilite (inflamação dos lábios) são acompanhadas por úlceras de diversa extensão na língua. Na face dorsal da língua podemos encontrar úlceras profundas quando glossite é pronunciada.
A compressão vascular na base da língua leva a cianose do órgão, em poucas horas.
Se houve ingestão de lagartas, surgem vómitos, ptialismo em virtude da inflamação do esófago e gastrite induzida. Alguns casos de diarreia são descritos.

  • LESÕES OCULARES
As lesões oculares surgem isoladas quando os pêlos urticantes são transportados pelo vento atingem, por contacto, os olhos do animal ou quando a face é violentamente afectada. Observa-se uma conjuntivite (eventualmente associada a uma blefarite) e/ou uma queratite ulcerativa. Se o pêlo atinge perpendicularmente a córnea e penetra em profundidade, desenvolve-se uma queratite nodular que pode levar a cegueira. Um exame minucioso oftalmológico é recomendado.
  • LESÕES CUTÂNEAS
  • As lesões cutâneas de tipo urticário (placas ou lesões lineares) são raras em virtude da própria pelagem do animal. São placas eritematosas nos lábios ou em zonas de pele fina exposta e pododermatites.
  • Estas placas podem aparecer nos donos e médicos veterinários (muito frequente) que manipulam o animal.
É aconselhável o uso de luvas e vestuário de manga comprida na manipulação destes animais.

2. SINTOMAS GERAIS
  • Se os sinais locais poem ser moderados e de bom prognóstico, as alterações gerais, mais raras, podem pôr em risco a própria vida do animal em poucas horas. Manifesta-se por uma evidente prostração, podendo evoluir ao estado de choque.
  • Os sintomas respiratórios são possíveis (tosse, rinite, dispneia) e causados pelo contacto com a trufa, inalação de pêlo ou pelo aparecimento de edema da laringe, após ingestão da lagarta.
  • A disfagia e dispepsia podem levar à uma hipovolemia marcada insuficiência renal aguda.
  • Uma coagulação intravascular disseminada (CIVD) aguda pode-se desenvolver nas horas ou alguns dias após o acidente.
Outras alterações gerais observadas: hipertermia (até 41ºC); choque anafiláctico com edema facial, coma, tremulações musculares, e por vezes convulsões. O síndrome de resposta inflamatória sistémica (SIRS: systemic inflammatory response syndrome) e o síndrome de falência multi-orgânica (MODS: multiple organ dysfunction syndrome) são complicações graves, que podem levar à morte do animal.

PROGNÓSTICO DO ENVENENAMENTO

A evolução do caso depende da rapidez do tratamento, mas também da intensidade, extensão e da região do contacto com a substância urticante.
  • Diversas evoluções são observadas. O desaparecimento dos sintomas é rápido (algumas horas) para 1/3 dos casos, permanece em menos de três dias para outro terço e as lesões podem persistir para os restantes.
  • O prognóstico a curto prazo depende da severidade das repercussões sistémicas (insuficiência renal aguda, edema da laringe, CIVD, etc).
  • O prognóstico a longo prazo é variável consoante a gravidade das lesões da língua. A parte apical segue a evolução clássica de urticária. A cicatrização e retoma funcional do órgão (diminuição do tamanho e mobilidade) pode durar 10 dias a um mês, mas a necrose deixa com frequência sequelas extensas.
- Queda mais ou menos importante da parte apical da língua, em presença de lesões múltiplas ou difusas;
- Aspecto rugoso dos bordos do órgão na presença de lesões pontuais;
- Cicatrizes estenosantes.

12º dia após o acidente: é visível a extensa zona de necrose (zona branca), tecido irremediavelmente morto. Pode-se, no entanto avistar, a proliferação de um novo tecido, granuloso, nas bordas.


Não só na parte apical da língua mas também na base, esófago e estômago (a Ara ingeriu lagartas)

19º dia, já com deiscência de parte da língua

24º dia: cicatrização



Mesmo que um cão perca cerca de 30 a 50% da língua, a readaptação à alimentação ocorre com alguma brevidade e volta à uma vida normal (a Ara adaptou-se bem mesmo com mais de 1/3 do órgão perdido). Numa primeira fase, deverá ser privilegiada uma alimentação líquida, depois mole. Se a queda da língua é moderada, um ligeiro ganho de substância cicatricial é evidenciado após alguns meses. Em contrapartida, se a necrose for total, a preensão dos alimentos é muito difícil e o prognóstico, muito sombrio, pode conduzir à eutanásia.

PROFILAXIA

A profilaxia dos envenenamentos baseia-se na vigilância de 3 factores:
  1. O médico veterinário deve prevenir os donos do risco de envenenamento.
  2. A comunidade local deve informar os locais de risco.
  3. Os donos avisados têm uma responsabilidade acrescida em evitar o contacto dos seus animais com as procissionárias ou casulos, durante os passeios (sempre a trela).
  • Para além de uma vigilância apertada na zona e durante os períodos de risco, a profilaxia passa pela sua destruição. Esta luta reverte-se de suma importância, não só médica e de saúde pública em virtude do envenenamento humano e animal, mas também pela própria ecologia e consequências económicas: estes insectos destroem as florestas resinosas.
Casulo
Destruição por fogo

Todo o corpo médico veterinário e assistentes devem identificar por telefone os sinais de alerta de envenenamento por procissionária, informar os donos da urgência do caso e dar instruções prévias antes da chegada do animal à clínica.

27 comentários:

Ana Cristina disse...

ui já tinha ouvido falar disto, normalmente os reino animal aprende o que pode e não pode comer...por vezes a mão do homem desequilibra esta "sabedoria"...este não parece ser o caso?!

Maria Paula Ribeiro disse...

Bom dia Ana,

É sem dúvida um desequilíbrio do homem.
O que tem acontecido deve-se em boa parte às alterações climatéricas que se têm verificado nos últimos anos, propiciando o aumento desta praga.
Como o ser humano não estava acostumado a observar esta praga, não faz a mínima ideia das suas consequências.

Os cães pastores (de rebanho) são os mais atingidos; Os donos, só após informação é que tomam consciência do perigo. Já tratei cabras atingidas, também.

No entanto o homem devia estar mais informado até porque aqui estamos em zona de florestas resinosas, onde todos os anos são destruídas árvores.

Tivemos diversos casos em que o dono do cão atingido tinha um pinheiro cheio de casulos no próprio jardim da casa, pensando que fosse, "ornamental" e ecológico.

Podes crer que é uma verdadeira praga, onde o homem se não intervir, poderá continuar a ter consequências nefastas.

Eu própria, sou atingida por placas eritematosas nos braços e cara quando tratamos casos destes, que anualmente não são assim tão poucos...

Beijo e bom domingo ;)

Maria Paula Ribeiro disse...

Ana,

E se tiveres atenta aos noticiários, todos os anos surgem relatos de infestação em escolas que têm no jardim árvores resinosas ou situadas perto delas, de crianças atingidas.

A gravidade surgem nas crianças, propensas a alergias, podendo em casos extremos, desencadear choque anafilático.

Bj

bruna :) disse...

Bom dia Paula...;)
É impressionante como um bicho tão pequeno pode fazer tanto estrago, não só aos nossos animais como a nós próprios, devia haver prevenção e alerta as pessoas pq grande parte nao deve ter noção do perigo! ... Já sei temos que fazer flyer informativos.... ou então uma exposição com fotografias..., ou melhor ainda uma conferência....que tal?

Beijocas grandes

Maria Paula Ribeiro disse...

Bom dia Bruna,

Há bichos, que em demasiado crescimento, "chateiam" mesmo.

;-) Gostei da tua ideia...
Que tal 3 em 1? (flyer, foto e conferência)

Kiss kiss

bruna :) disse...

Oi Paula eu acho boa ideia!
Vamos ao trabalho...!

Joel Pinto disse...

oi Paula.
Lembro-me bem da Ara nessa altura, coitada. Por vezes a readaptação não é fácil para os animais.

Jinhos

Maria Paula Ribeiro disse...

Bruna,

Então... mãos à obra e vou precisar de ti! ;)

Jinhos

Maria Paula Ribeiro disse...

Olá Joel,

Foi o meu primeiro grande desafio a tocar-me de perto pois a Ara é a minha 1ª cadela.

Foram 2 noites seguidas sem dormir, em cuidados intensivos no meu gabinete, improvisado, como tu sabes.Seguiram-se semanas angustiantes até a convalescença...

O que mais admiro e respeito na Ara, foi a luta dela perante a dor (mesmo com morfina) e readaptação à funcionalidade da língua. Sabes que "muitos" prefeririam a via mais fácil...

Nem eu, nem ela o escolhemos. Escolhemos o caminho da luta, para o que der e vier. ;-) Ganhamos todos. Com mais baba, menos baba, mais cuidados na alimentação, encontramos o modo mais adaptável, de viver.

;-) Foi bom falar deste tema com ela.

Conseguimos viver, mesmo com defeitos de fabrico! :-)

Abraço amigo.

Ana Cavaca disse...

Olá Paula,
Muito pedagógico este teu post. As pessoas ouvem falar da procissionária, que conhecem como a lagarta dos pinheiros, mas não sabem o quanto venenosa ela é tanto para os animais como para os humanos...
Impressionante o que pode acontecer aos animais quando entram em contacto com ela!!! Não conhecia o caso da Ara...
Aqui em Trancoso, como já te disse, já vi esta praga, e em locais públicos bem centrais e movimentados como passeios e zonas verdes...
Bjs amiga

Maria Paula Ribeiro disse...

Ana,

Obrigado.
Tento informar, o mais possível consoante for oportuno e em paralelo as alturas de maior incidência dos casos.É por isso também e outras coisa, que são editados post mais longos e em menor quantidade ao longo do mês.

Em relação às procissionárias o teu apelo foi muito útil, obrigado.
Ainda hoje tive uma cliente que costuma ir ao parque passear os cães imagina! Ficou com o aviso.

A Ara foi atingida e com força,mas como tu a conheces, sabes bem que ela leva uma vida normal.

Acho que a comunidade deveria ser informada, convenientemente pois é um serviço de utilidade pública.

Beijinho

Quim-Zé Cavaca disse...

Olá!!! Amiga Paula, fiquei interessadíssimo na tua informação técnica, sobre o problema grave que a procissionária nos tráz nesta época do ano.Estás a fazer serviço público e cívico muito importante.
Gostaria de ver publicado este teu artigo de opinião no jornal de parede do clube de protecção cívil da escola onde lecciono e também no jornal escolar.Se concordares com a sugestão envia, por favor, para o mail da Ana, que ela reencaminha-mo.
Um beijo do Quim-Zé

Maria Paula Ribeiro disse...

Quim-zé,

Terei todo o gosto em enviar-te o artigo.

O texto terá de ser reconfigurado, pois aqui não é escrito em word e as fotos tb.

Ainda hoje segue para o email da Ana.
Força nisso.

Muito obrigado amigo.
;)

Astrid Annabelle disse...

Maria Paula!
Que coisa! Não conhecia esta lagarta...acho que não existe no Brasil...estou falando sem conhecimento de causa.
Fiquei muito impressionada e principalmente com a parte referente a Ara...coitada...que judiação!
Ainda bem que está e esteve aos seus cuidados.`
Parabéns por este trabalho.
Muito digno!
Um beijo XLL
Astrid

Maria Paula Ribeiro disse...

Astrid,

Madrinha e amiga

Se não existem estas lagartas, não sintas falta!
Mas como o Brasil é extremamente rico em vegetação, também não sei.

Que é bastante grave, é, mas a maioria dos casos, resolvem-se em menos de 24/48horas, se os donos forem perspicazes. Depois seguem com medicação e cuidados em casa, com consultas de controlo programadas.

Em relação à Ara, só te posso dizer que venceu. ;-) Somos vencedoras, né??

Obrigado pela tua visita e palavras.
Beijo XL

Afilhada ;-)

adelaide figueiredo disse...

Olá Amiga Paula

Já li todos os posts que publicaste desde que fui embora. Todos interessantes. Acho que estás a fazer um trabalho muito importante. A tua comunicação ajuda, o teu trabalho como veterinária é inportantíssimo. Obrigada amiga.

Beijinhos

Adelaide Figueiredo

Maria Paula Ribeiro disse...

Boa noite Adelaide,

;-) Obrigado amiga.
Espero que tenhas gostado desta leitura toda.

O meu trabalho está a tomar a forma que desejei, muito embora esteja no início, e, agradeço imenso as tuas palavras. Um alento em continuar.

Feliz pelo teu regresso.

Jinho grande

Lemniscata disse...

Olá, vim aqui parar por acaso e já vi que acertei. O teu post é muito interessante e informativo. Uma vez vi destas lagartas em Lisboa, em pleno jardim do mirador da Graça. Ia com um amigo e a "fila indiana" chamou-nos a atenção. Ficámos a observá-las durante algum tempo - de bem perto, aliás - mas, felizmente, tivémos o bom senso de não lhes mexer de maneira nenhuma. Porém, penso agora no perigo com tantos cães, crianças e curiosos (como nós) a passar por ali.

Custa-me a crer que existam espécies "nefastas" neste mundo - salvo, talvez, a nossa! - mas estes bichinhos parecem fazer mal a tudo, plantas e animais. Qual será o lugar deles no cenário da vida? Certamente terão a sua função, como todos os seres, não é verdade? Não será que certas espécies só se transformam em pragas porque foi introduzido um desequilíbrio no seu ecossistema? É um facto que a Natureza não produz nada de supérfluo, portanto, a ideia de uma criatura que não serve para nada é-me difícil de processar.

Enfim... estas coisas dão-me que pensar...

Obrigada pelas informações e pela oportunidade para reflectir. Bjs *****

Maria Paula Ribeiro disse...

Olá Lemniscata,

Nada acontece por acaso.
Fiquei muito contente com a tua visita.

Eu sou da opinião que só o que está equilibrado é que é saudável.
E este momento, por vários motivos, surgiu este aumento populacional de lagartas (clima, falta de cuidados com as nossas florestas, falta de informação).

Antigamente, havia gente que cuidava das árvores resinosas retirando-lhes a resina para outros fins, limitando, o alimento da prociossionária. Hoje como tu sabes, pouca gente tem cuidados com a natureza...

Os animais continuam sendo "surpreendidos" com elas...

Beijinhos

Samsara disse...

Muito bem Sra Dra Professora.
As imagens são um pouco chocantes, mas é importante estarmos informados.
Um bom fim de semana
Beijinhos

Maria Paula Ribeiro disse...

Olá Sam,

Pois são chocantes, mas verdadeiras.

E hoje de tarde estivemos a destruir casulos, cheios....

Uma "petiscada" ;-(

Beijo grande e bom fim de semana para ti também minha linda.

tibeu disse...

Fiquei perdida neste blog, adorei

Maria Paula Ribeiro disse...

Boa tarde, Tibeu,

Agradecida pelo comentário. Que este blogue lhe seja útil.

Abraço

Catarina Sá Borges disse...

Estava à procura de informação acerca justamente do envenenamento por processionária quando encontrei este fantástico post! Adorei a explicação mas tenho uma pequena questão (sou estudante de medicina veterinária, de segundo ano no icbas)estou a tentar perceber como é que o edema sublingual pode acaba por dar origem à necrose do tecido da lingua. [Esta foi uma das várias questões que nos foi posta numa aula de patologia para resolvermos o caso clinico em casa mas não encontro muita informação que me esclareça suficientemente este aspecto =S]

A minha suspeita é: o edema sublingual comprime os vasos que fazem a irrigação da lingua daí a necrose...
Faz algum sentido ou estou extremamente longe da resposta acertada?

Bjnho e (algum desespero hihi)*


p.s.: o blog já está na minha lista de favoritos! parabéns ;)

Maria Paula Ribeiro disse...

Boa noite Catarina,

Obrigado pelas tuas palavras.
Longe vai o meu tempo de aulas, mas estás com o raciocínio certo.
Contudo a nível local a libertação da toxina (alergéneo) provoca a libertação de factores pro-inflamatórios IgE e IgG e se a memória não me falha alguns ainda se chamam de complemento C3 e C5 (os mais frequentes). Há toda uma cadeia que se desenrola e a desgranulação das células sensíveis ao alergéneo eosinófilos, mastócitos libertam susbstâncias vasodilatadoras que aumenta a permeabilidade dos vasos sanguíneos, proaocando edema e consequente necrose por "tamponamento" daquela zona afectada.
É todo um processo que nós chamamos de "choque anfiláctico", muito rápido.

Espero te ter sido útil.
Um beijo e boa sorte para o curso!
;)
Maria Paula

Catarina Sá Borges disse...

Obrigada foi super útil ;D! Ajudou bastante =D!

Beijinho** xD

Anónimo disse...

Maria Paula, me ajude pelo amor de Deus! Minha cachorrinha está com a língua necrosando...
Qual o remédio que devo comprar para ela???
Ela é uma basset (salsicha) de 5 meses... pesa 1,5 kg. Está muito magra pois n consegue se alimentar direito...
Meu e-mail é cella.guimaraes@hotmail.com
Se possível, responda pra ele por favor...
Ja levei ela no veterinário, mas n estou vendo muito resultado.
Urgente, por favor.
Obrigada!"

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