29/01/2009

LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO - PARTE I

Diz-se, frequentemente, que «só lhe falta falar». Na verdade, o cão dispõe de vários meios de comunicação, sinais olfactivos, visuais, acústicos assim como mímicas corporais. À força de viver ao lado o homem, o cão acabou por «imitar» algumas expressões deste e... vice-versa.

Jedy abraçando a dona ou vice-versa? Reparem na mimitização de posturas.

Quando se fala de comunicação entre o cão e o homem surgem duas correntes opostas: enquanto que uns pensam que o cão capta tudo o que se lhe diz, outros consideram que é incapaz de compreender alguma coisa. As duas opiniões são exageradas, embora haja uma certeza, o cão não tem linguagem e não compreende as palavras. Disso não se pode deduzir, no entanto, que a comunicação entre o homem e o animal é impossível.

Na realidade a linguagem não é o único veículo de informação, e há outros sistemas que o podem substituir.

A FALA CANINA

Quando o cão comunica com os seus congéneres utiliza diversos meios de expressão que os especialistas chamam canais de comunicação.

Só falta mesmo, falar!

O canal vocal


Os cães utilizam diferentes séries de sons para expressar os seus estados emocionais, e isso muito precocemente, uma vez que os cachorros se manifestam ruidosamente para pedir ajuda à mãe ou conseguir comida. Este meio de comunicação perderá importância ao longo do tempo; o adulto é menos «tagarela» que o cachorro. Apenas as raças de pequenos sabujos, podengos (especialmente na caça de montaria) têm um variado repertório de «vozes» que permite aos caçadores seguir os progressos da busca.

O canal olfactivo

Devido à menor agudeza do nosso sentido olfactivo e ao facto de ser tão pouco importante na nossa vida, torna-se muito difícil apreendê-lo. No entanto, no cão, muitas mensagens relativas à classe social, ao estado de receptividade genital e talvez, inclusive, à matilha de origem, se transmitem por essa via. Assim, as mensagens urinárias depositadas pelos machos destinam-se principalmente a informar os congéneres sobre a classe social o emissor. Neste caso também intervém o aspecto visual; a localização do depósito de urina está feita para ser vista, e assim os dominantes levantam a pata o mais alto possível. E desde logo, o aspecto olfactivo, está presente pois há substâncias de natureza ainda não determinada nesta espécie que estão misturadas com a urina. Quanto às cadelas em cio, também depositam algo das suas secreções vaginais na urina para atrair os cães mesmo a grande distância.

O canal visual

Mais importante no adulto, associa mímicas faciais e posturas. O cachorro recém-nascido é incapaz de utilizar completamente este meio de expressão devido ao seu escasso controlo corporal (pois o sistema nervoso não está maduro); adquiri-lo-á graças ao jogo no seio da ninhada. Esta aprendizagem e a configuração dos sistemas de comunicação parecem que duram até à idade da puberdade; os jovens machos terão então aprendido todas as subtilezas necessárias para evitar os confrontos com os exemplares dominantes.

Já se aperceberam da expressão facial em plena "hora de ponta"?

UM MIMETISMO POR VEZES ASSOMBROSO

Estes modos de comunicação não verbal não são alheios ao homem. Já Darwin descreveu a expressão das emoções no homem e nos animais, e torna-se surpreendente comprovar que as manifestações dos diferentes estados emocionais são completamente comparáveis em espécies tão diferentes a priori como o homem e o cão. Assim, a agressividade expressa-se descobrindo os caninos, elevando os ângulos externos das pálpebras, projectando a cabeça para a frente e levantando os ombros, posturas e mímicas todas elas que se encontram tanto no molosso mais irascível como no automobilista vítima de um engarrafamento. E mais ainda, quando as duas espécies, homem e cão, têm desde logo relações afectivas muito estreitas, gerar-se-á um ajuste recíproco dos seus comportamentos. Este fenómeno particular, descrito por Hediger, chama-se «tendência à assimilação»; o animal pode adoptar posturas ou mímicas que reproduzem os sistemas humanos, e então fala-se de antropomorfismos; no homem também se apresentam tais casos, que são zoomorfismos. De qualquer modo, estes não são os únicos modos de comunicação que funcionam, e é interessante ver como o homem pode transmitir informações ao seu cão através da linguagem.

ZOOMORFISMO E ANTROPOMORFISMO

No homem, o zoomorfismo mais evidente refere-se ao incitamento para brincar dirigido ao cão: o dono inclina-se ritmicamente, bate nos joelhos com as palmas das mãos, ou bate no chão com elas, e pode, inclusive, balancear-se sobre um e outro pé. Estas atitudes gestuais correspondem a uma postura parecida com a do cão que convida alguém a brincar com ele.
Do mesmo modo, o cachorro «imitará» as crianças com quem vive. Naturalmente, quando tenta iniciar uma sequência de jogo, o cão jovem pode pôr uma das patas dianteiras em contacto com o focinho e inclinar ligeiramente a cabeça. Mas, em seguida, o animal exagerá essa postura para conseguir um brinquedo ou comida, como o pode fazer uma criança. A reacção humana-cão põe a descoberto numerosos comportamentos desse tipo, que servirão para reforçar a qualidade dos laços entre animal e o seu dono.

MÍMICAS FACIAIS E POSTURA

Cão encantador com uma atitude quase humana. Arrebita apenas a orelha ou pede ao dono que lhe preste atenção?

O cão utiliza os movimentos da face para comunicar com os seus congéneres. Os grupos de músculos mais utilizados são os seguintes:

- A musculatura auricular permite o movimento das orelhas;
- A musculatura labial prvoca o movimento dos lábios;
- A musculatura palpebral (pálpebras modifica as dimensões dos olhos.

As mímicas faciais associadas às posturas corporais comunicam ao interlocutor o estado emocional do emissor e a sua classe social. Nos dominantes, o porte levantado das orelhas e o aspecto tranquilo do resto da face traduzem a sua posição elevada na hierarquia dos cães. Nos exemplares não tão «bem situados», os movimentos dos ângulos do olhos e dos lábios intervêm permanentemente. Em todo o caso, quando são agredidos, os cães dominantes também apresentam mímicas faciais que põem em jogo outros grupos musculares.
Embora mais subtil, o diâmetro pupilar, controlado pelo sistema neurovegetativo, é o sinal das emoções: quando as sensações são agradáveis, a pupila está completamente aberta; se são desagradáveis a pupila fecha-se.

Como estarão as pupilas da Pimpim, deitada confortavelmente num sofá?

14 comentários:

Fada Moranga disse...

Ai que rico material!

Gosto muito deste tema. Bem hajas!

Beijos****de Fada a todos os retratados

Ana Cavaca disse...

Bom dia Paula,
Gostei imenso deste teu "post"...e claro que há animais que só lhe falta falar por serem tão expressivos. E eles entendem bem o seu dono até pelo tom de voz empregue no momento...
Lindo.
Bjinho

Maria Paula Ribeiro disse...

Fada,

E que rica visita!:-)
Esta tudo bem contigo amiga?

Beijos**** de Vet, LOL

Maria Paula Ribeiro disse...

Ana Cavaca,

Nem mais, como também pelo som do carro, e estereotipias nos horários, também :-)
Beijinhos

António Rosa disse...

Excelente divulgação. Eu e o Tibério falamos um com o outro.

besitos

adelaide figueiredo disse...

Olá Paula

Acho que os animais nos entendem muito bem. Eu e o meu Farrusco falávamos muito e era engraçado que quando eu estava muito tempo calada ele ia ter comigo e fazia um mair muito especial como a dizer que estava ali.

Gostei do post e já agora um óptimo fim de semana.

Beijinhos

Adelaide Figueiredo

Maria Paula Ribeiro disse...

António,
Obrigado. Acho e bem e salutar que fales com ele, como também e de certo o farás com a Maria, Preto e Gabriel! :-)
Beijo

Maria Paula Ribeiro disse...

Adelaide,

Sem dúvida alguma.
Falam, sentem mais do que nós.

Obrigado pelo fds. :-)
Beijinho grande amiga

Dunyazade disse...

É um cão lindo. Qual é a raça?

Astrid Annabelle disse...

Maria Paula!
É gostoso demais observar a "conversa" dos animais, não só dos cães...
Eu tenho uns "amiguinhos" passarinhos que vem constantemente conversar comigo. E eu os reconheço...pois assim como os humanos...são parecidos mas totalmente individuais...
É claro que converso com a Íris e o Apolo também...
Seu blog está show!
Bjkas.
Astrid

Maria Paula Ribeiro disse...

Bom noite Dunyazade,

Obrigado. É um Schnauzer gigante preto! :-) Tenho também a Jord que é irmã dele. :-)
Beijinhos

Maria Paula Ribeiro disse...

Astrid,
Madrinha coruja,:-)

Entendo-te. :-)
Hoje já não me é possível ver o teu blogue com a calma que desejaria mas adorei o post que está lá! :-)
Andas-me a meter o "bichinho", lol

Obrigado linda
Beijinhos

Dunyazade disse...

Eu já queria ter um cão-de-água português (um dia, quando viver na minha Propriedade ao pé do Mar, lol!), agora também quero um Schnauzer gigante!

Mesmo bonito.

Maria Paula Ribeiro disse...

Dunyazade,

Força. Ficarás deslumbrada com esta raça.
:-)

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