12/02/2009

O CÃO DE BASKERVILLE



«Eram pegadas de um cão gigantesco». Uma relação capaz de fazer Sherlock Holmes perder a sua lendária fleuma. Mas era preciso muito para perturbar o faro - também lendário - do célebre detective.

« Foi o doutor Mortimer, um simpático médico rural, quem contou a Sherlock Holmes e ao seu fiel Watson os dramáticos acontecimentos que haviam tido lugar em Dartmoor, uma região de charnecas selvagens no sudoeste de Inglaterra.»
Assim começa O cão de Baskerville, uma das obras-primas de Arthur Conan Doyle e da literatura policial.
A casa de campo dos Baskerville ergueu-se no meio da desolação de Dartmoor. O seu último ocupante, Sir Charles Baskerville, acaba de ser encontrado morto no seu parque, com uma atroz expressão de terror no rosto. E, perto do seu cadáver, as famosas pegadas...
Começa a investigação. Certamente um estranho caso, rodeado de uma atmosfera fantástica. Havia várias investigações que a família Baskerville era perseguida por uma maldição representada por uma cão fantasma e fosforescente que algumas testemunhas afirmavam ter visto a errar pela charneca.
É então que regressa a Inglaterra o último representante da família, o jovem Henry Baskerville, sobrinho de Sir Charles.

TERROR NA CHARNECA

Os fios do espantoso mistério, à primeira vista inextricáveis, vão-se desenredando a pouco e pouco. Desde o início do caso que Holmes está convencido de que o cão é real. O que o põe na pista é, além das pegadas, o desaparecimento dos sapatos de Sir Henry, o que só se explica pelo cheiro.
Também há os uivos, uns uivos aterradores, sinistros, que se ouvem por sobre o lamaçal de Grimpen, um inquietante pântano de onde vem, flutuando, a bruma que se espalha a escassa distância da casa de campo dos Baskerville...Como a região tem poucos habitantes, não há muitos suspeitos. Mas Sherlock Holmes concentra toda a sua atenção numa curiosa personagem, Stapleton, um entomologista que vive com a irmã numa pequena casa no meio da charneca. O estranho Stapleton acaba por convidar Sir Henry Baskerville para jantar, o qual se enamora da menina Stapleton. Holmes compreende que o último Baskerville está prestes a cair numa cilada.
Sir Henry tem de fazer um longo percurso a pé pela escuridão da noite para chegar ao castelo. Claro que vai ser esse o momento em que o animal aparecerá. Escondidos atrás de uns penhascos, Holmes e Watson vêem Sir Henry Baskerville emergir da névoa e logo a seguir ouvem um ruído, um pequeno ruído de passos precipitados. E de repente...
...Um cão gigantesco sai da bruma, um cão negro cujos olhos, focinho e patas lançam chamas. Em largas passadas, aproxima-se de Sir Henry, que se vira e fica apavorado perante o mesmo espectáculo que fez morrer de medo o seu tio. O molosso arroja-se sobre ele e atira-o ao chão, mas cai, fulminado pelos disparos de Holmes.
O detective descobrira que Stapleton era na realidade um Baskerville, descendente de outro ramo da família. Nascido na África do Sul, voltara a Inglaterra com a mulher (fazendo-a passar por sua irmã), absolutamente decidido a apoderar-se dos bens de Sir Charles.
Quando soube da lenda do cão fantasma, decidiu utilizá-la. Assim, comprou um molosso do tipo do dogo alemão, que escondeu numa mina abandonada, quase inacessível, no meio do pântano. Mas não podia impedi-lo de uivar...Às vezes soltava-o pela charneca, depois de o lambuzar com fósforo. O resto já é conhecido. Na sua fuga, Stapleton afogou-se no pântano.

O CÃO NÃO TINHA CULPA

Depois de Conan Doyle, muitos outros novelistas imaginaram cães aterrorizadores. Assim, recentemente, o célebre escritor norte-americano Stephen King publicou Cujo, que conta a história de um são-bernardo raivoso que imobiliza os automobilistas nos seus carros. Este romance foi levado ao cinema.
Mas nem todos são Conan Doyle. Tenhamos em conta sobretudo que o molosso da charneca de Dartmoor, por mais espantoso que fosse, não tinha culpa. Neste caso, não passava da arma do seu dono. Não é o homem o único animal cruel?

Filmes inesquecíveis: The Hound of Baskerville (note-se o termo hound, que se aplica aos cães ferozes, por oposição a dog) foi publicado em folhetim no Strand Magazine, em 1901, aparecendo em livro no ano seguinte. A novela alcançou uma imensa popularidade e foi traduzida para um grande número de línguas. Fizeram-se cinco adaptações cinematográficas desta obra de Conan Doyle. Na mais célebre, Sherlock Holmes é interpretado por Basil Rathbone. Noutro filme contracenam Peter Cushing e Christopher Lee, especialista em filmes de terror.

13 comentários:

bruna :) disse...

Bom Dia Paula...;)

Interessante, mas não deixa de ser um pouco aterrador...!Mete medo!

Beijocas, fica bem :)

bruna :) disse...

Outra vez..

Já agora, fica mt melhor a frase onde tá agora...;)
Os teus meninos estão mt mais favorecidos

Maria Paula Ribeiro disse...

Bruna, :-)

Se te mete medo, e, para dar uso ao ditado, "Se tens medo, arranje um cão!" LOl

Obrigado eu, tu é que destes a dica! :-)

Jinhos

Joel Pinto disse...

E como diz o ditado: não há animais perigosos; os donos é que o são.

jinhos

Maria Paula Ribeiro disse...

Joel,

:-) Existem animais potencialmente perigosos!

Jinhos

Ana Cavaca disse...

Olá Paula,
História policial fantástica só podia ser mesmo do Sherlock Holmes...e claro que no desfecho o cão não tinha culpa.
Bjinho grande

adelaide figueiredo disse...

Paula,

Um post com imaginação. Já está incluida informação e história policial e tudo :)

Beijinhos

Adelaide Figueiredo

Astrid Annabelle disse...

Maria Paula!
Preciso voltar com calma para ler os três últimos posts...Este em especial não gosto...não gosto da história, não do seu trabalho em realizar o post, veja bem!
Seu blog anda recheado de assuntos interessantíssimos...
Ando um pouco atrapalhada com muito trabalho e a volta do meu netinho Raphael...agora fica comigo todos os dias na parte da manhã...por isso ando ausente...mas no coração "tás cá dentro"!!!!!
Um beijo e parabéns pelo lindo blog! Estou orgulhosa como madrinha!hehehehehe
Astrid

Maria Paula Ribeiro disse...

Bom dia amiga Ana Cavaca,

:-) Eu sei que gostas destes policiais!
Beijinhos

Maria Paula Ribeiro disse...

Bom dia Adelaide,

Como o mundo é "pequeno", não é assim?
:-) Beijinhos

Maria Paula Ribeiro disse...

Astrid,

Querida madrinha! :-) As tuas palavras são uma delícia. Muito obrigado

Os posts têm o seu encadeamento. A seu tempo entenderás. É claro que podes não gostar de tudo!, LOL

O que importa mesmo é que gostes do que faço, lol

Vem quando puderes.;-)

2 Beijos XL hoje, para o Rafael e para a madrinha e vóvó mais "coruja que conheço"

Astrid Annabelle disse...

O meu sorriso se abriu largo ao ler sua resposta, minha afilhada querida!
Sou corujíssima!!! Com muito orgulho!!!lol
Beijo muito alegre!
Astrid

Maria Paula Ribeiro disse...

Astrid!

:-))))))
Beijos XL

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