13/09/2010

SAFIRA

Hoje irei iniciar uma secção nova, na categoria denominada por "domicílios". Desenganem-se os leitores que pensam que o BandarraVet está apenas "confinado" dentro de quatro paredes. Os domicílios também fazem parte e têm sido objecto de aprimoramento, tanto a nível de calendarização, equipamentos e meios humanos.

Os domicílios requerem mais de nós, mais do que possam imaginar. A "triagem" é de extrema importância e necessária, bem como toda a anamnese que nos é fornecida pelo dono. Imaginem que nos requisitam para ver um cão que está doente. Até aí tudo bem. Que tamanho tem? (numa hipótese de ter de o trazer, para levar a jaula mais adequada); é agressivo, dócil (importante na escolha do protocolo de tranquilização); onde está? (pode estar até no meio do campo), em que estado está (molhado, com diarreia etc).


As condições climatéricas também são importantes. Ocorre com frequência, no verão agendar os domicílios de acordo com a labuta dos donos e o tempo. Lembrem-se que nos domicílios, deslocamos-nos à casa do dono e necessitamos dele ou da pessoa encarregue de nos receber e nem sempre é possível. Pequenos pormenores, que dentro do consultório não têm a mesma importância.


Preparar o domicílio para a sua especificidade é importante mas nem sempre conseguida. Já me aconteceu realizar um domicílio, simplesmente porque me disseram que o animal estava sem se mexer, mas sem nenhuma hipótese de ter sido atropelado (descartar sempre traumatismos da via pública, que necessitam o transporte obrigatório até à clínica). Quando cheguei, o animal mal se mexia e com desequilíbrios motores. Ao exame visual pude aferir uma grande suspeita de corpo estranho no canal auditivo. Não trazia nesse dia comigo o otoscópio, onde também por necessidade de tranquilização e exame do canal, transportei-o até à BandarraVet. Simplesmente lhe foram retiradas 5 praganas num dos ouvidos (2 no outro), com perfuração da membrana do tímpano e uma otite purulenta.


Não obstante todo o exposto, nos domicílios temos uma enorme vantagem. Conhecer "in loco" o ambiente onde está inserido o animal. É nessa parte que me sinto bem. Observar as condições, o contacto/proximidade dono-animal; existências de outros animais para além daquele a que normalmente somos chamados; presença de factores de riscos, etc. É na sequência desta observância que passamos a ter um trabalho mais activo, de saúde pública, de informação, não apenas para o animal em si, mas também de toda a sua abrangência.

Aqui o domicílio foi com a"Safira" uma égua de 8 anos, cujo dono a adquiriu há pouco tempo. Uma vez que é um animal preferencialmente de "pasto" surge a necessidade de prevenção contra a gripe equina.

A Safira é muito dócil.

Ui....sempre sentiu a injecção! Mas com o dono perto, não houve qualquer problema.

Agora vamos desparasitar, uma prevenção muito importante em equinos. O "King" fez-me companhia.... deixa lá que também vais tomar!

Vamos lá ver se é saboroso!

Aqui um bom exemplo da abrangência. O "King" é um coabitante da Safira, daí a necessidade da desparasitação em simultâneo. Allez, engolir!

E pronto, documentação a seguir e por hoje está!



Os domicílios tem esta peculiaridade: podemos partilhar da beleza da própria natureza.
A nossa Mãe Terra é linda e tenho tido a sorte de caminhar por lugares de extrema quietude e beleza. Aqui, uma manada de vacas a pastarem tranquilamente. Não podia seguir em frente sem parar e contemplar um pouco...

12 comentários:

António Rosa disse...

Paula

Fantástico! Bom!!!!!!

A Safira é linda e o King não lhe fica atrás. Tenho que ir ao dicionário saber o que são 'preganas'?

Serviço público é o que tu fazes.

Muitos beijos

António

Maria Paula Ribeiro disse...

Bom dia António,

Bem-hajas

;))) Nem me lembrei das preganas! ;) Por vezes encontro pessoas que não sabem o que é. É natural pois é um termos da região.

Chama-se "pregana" aquela parte espigosa das ervas secas, chamados de "fura-sacos" também. Ou a ponta seca dos cereais (trigo, aveia, centeio). Os cães ao deitarem-se ou brincarem na relva ou campo, facilmente apanham isso.
Uma vez dentro o canal, provoca dor e à medida que sacode, empurra ainda mais para dentro. Só mesmo com o otoscópio e que consegues retirá-las.

Temos sempre muitos casos aqui, pois a maioria dos animais estão no campo.

Muitos beijos para ti também
e uma óptima semana.

MP

Astrid Annabelle disse...

Bom dia Maria Paula!
Enquanto ía rolando o post e lendo seu texto meu coração sorria por lembrar da quase menina começando a trilhar seu destino....
Como eu tenho orgulho por tudo o que és e fazes hoje! E isso é de coração!
Eu também adoro os animais.
Um beijo muito grande querida.
Astrid Annabelle

Maria Paula Ribeiro disse...

Bom dia Astrid

Muito sentidas as tuas palavras. Bem-hajas.

"quase menina começando a trilhar seu destino"
Lindo sorriso me puseste nos lábios...

A "nova casa" a começar a tomar seu molde...
Com consciência, cooperação e equilíbrio! ;)

Ao fazer este post, lembrei-me muito de ti, pois também és fã incondicional da natureza e sempre pronta para nos contemplar com lindíssimas paisagens...

Agora que apetrechei melhor o equipamento fotográfico, creio que terei mais para mostrar, ;)

Beijo grande para ti Amiga e Mestre!

MP

IdoMind disse...

É só diversão, animais lindos, paisagens tranquilas e ainda recebes por isto??!


Grandes escolhas Maria Paula...Estás lá...

parabens por este trabalho...sagrado
Mil beijos

Eri disse...

Ai as praganas ;) normalmente o pessoal da cidade não sabe o que é, nesta altura faço sempre um exame minucioso á Zen sempre que vem do campo...a sorte é que ela é preta e de pelo curto! Mas algumas espetam-se e partem!
Belíssima paisagem, belíssima Terra :) No fim do mês devo passar por aí para te dar um beijinho a correr (a minha avó está de partida). Beijo enorme e obrigada por iluminares os nossos dias!

Maria Paula Ribeiro disse...

Ido,

;))) lol lol ;)) A vezes não recebo, lol

Mas o que interessa mesmo é que cumpri o meu dever, ;)

Bem-hajas pelas tuas sábias palavras!

Beijo grande

Maria Paula Ribeiro disse...

Eri,

Olha lá o que fizeste: sempre chamei aquilo de pregana, com "e". E um termo da nossa Beira, e sempre o disse assim. Depois quando li o comentário do António, simplesmente respondi explicando o que eram.
Leio praganas, com "a" e pensei: bem se calhar não é pregana...
Entretanto perguntei a minha funcionária como ela dizia: "espragana", pior!!!!
Fui pesquisar pregana, pragana espragana na net...

Espanto meu pois era pragana! ;)))
Desfeito o erro, ao qual te agradeço!
O engraçado é que andei esse tempo todo a dizer pregana! ;)))

Quem a conhece, teme-as bem, não é??? Até no Jedy as tirei, ;))))

Bem e praganas a parte, serás sempre bem-vinda aqui e com todo gosto serás recebida. Contudo fica o aviso que de 24 a 27, vou fechar. Estarei por aqui mas com outros afazeres.

Manda-me um email quando tiveres a data.;)

Mais uma vez, grata amiga!
Sempre presente.

Beijo e abraço bem grande

MP

António Rosa disse...

Maria Paula

Obrigado pela explicação. O meu Tibério anda outra vez a abanar muito a cabeça. Será outra otite? Tenho que investigar.

Não saio disto.

Besitos.

Maria Paula Ribeiro disse...

António,

;( Pode ser. Vou enviar-te um email com recomendações! ;)

Jinhos

Ana Cristina disse...

fizeste-me lembrar as crónica de um médico na aldeia....que sorte os "animaizinhos" têm.

Bom dia para ti

Maria Paula Ribeiro disse...

AC,

;))) Também conheço... e reavivou isso há uns tempitos, ;))))

Boa semanita para ti também ;)

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